sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ad ela

para Adélia Gomes-Santos




nascida lépida assim
a mais leve das sete

vai vento sul
conta-lhe da brilhante paulicéia natalina

leva-lhe este toque de amor digital

e murmura sob suas madeixas doiradas
os sibilos do verbo irmã-nar

[Sandoval Nonato Gomes-Santos, Bistrô do Professô, Peixoto Gomide, São Paulo, dezembro de 2011]

sábado, 23 de abril de 2011

Ao poeta da infância descoberta (João de Barros)

Em cada um de nós
Há um João,
uma flor de grão
Num barro simples.

Fonte matutina feito rosas.
Adocicando o sorriso ausente.
Vôo de memória noturno,
De onde uma estória pede outra
Até dormir.
Foi sim o silencio que fez crescer o lírio,
A palavra que nunca acaba.
Todo o mundo é assim
um cambalear de estrela em estrela
Palavras que se soltam e se fixam
num movimento pendular
Coisa doce e infantil.
Como na casa de todo João;
Habita um menino, como num cântico lindo,
E na beleza de que se pode tocar
De que ali cresça um menino:

Como um João
Uma flor de grão
Num barro simples.

(Jones Gomes)

Pastéis

Há um espelho no tempo
E logo recolhi os pensamentos
Sobre a via Anhanguera. Vi assim a cortina passar

Sobre uma visão que nada mais tinha de meu.
Minha juventude e a sede eterna.
E se as paredes verdes da floresta
Trazem como num frescor distante
O tato das mãos e a rede que te leva
A noite serena rente a mata que é de pedra
na chuva acelera....a sensação do lar.
Na impermeabilidade da janela
O som inconfundivelmente pontual
do sininho a lembrar das coisas da vida.
Lá o chão brotou da brisa, das ervas daninhas:
Patichulim...
Que oxóssi nos guarde
Naquela cozinha familiar.

[Jones da Silva Gomes, Um dia de setembro na Sampa da Rua Peixoto Gomide)

domingo, 23 de janeiro de 2011

gato de lua de mel de maceió

os tetos
de zinco quente
arrefecerão
ante as pegadas
do gato de lua de mel
nas alagoas dourado

de Sol
o mel do gato
no varal da lua

o gato

rente, rente
que nem vertigem
de corações quente