sábado, 23 de abril de 2011

Ao poeta da infância descoberta (João de Barros)

Em cada um de nós
Há um João,
uma flor de grão
Num barro simples.

Fonte matutina feito rosas.
Adocicando o sorriso ausente.
Vôo de memória noturno,
De onde uma estória pede outra
Até dormir.
Foi sim o silencio que fez crescer o lírio,
A palavra que nunca acaba.
Todo o mundo é assim
um cambalear de estrela em estrela
Palavras que se soltam e se fixam
num movimento pendular
Coisa doce e infantil.
Como na casa de todo João;
Habita um menino, como num cântico lindo,
E na beleza de que se pode tocar
De que ali cresça um menino:

Como um João
Uma flor de grão
Num barro simples.

(Jones Gomes)

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